A gastronomia auxilia na expansão de uma forma de conhecimento, pois, além de trazer sabor a uma viagem, por exemplo, ela enriquece a percepção sobre como vivem as pessoas em um lugar e ajuda a entender a maravilha da diversidade humana, que, em cada canto do planeta, cria formas diferentes de interagir com o entorno natural.

A região Centro-Oeste tem pratos tradicionais que, além de deliciosos, ajudam a contar a história, os costumes e a cultura local. Ao se dirigir a essa parte do país, o viajante entra em contato com iguarias deliciosas, como o arroz com pequi, o pacu assado recheado, o caldo de piranha, o caribéu pantaneiro, a mojica de pintado e a galinhada com pequi.

Curioso para saber um pouco mais sobre o sabor e a história por trás dessas iguarias típicas da culinária do Centro-Oeste? Continue a leitura deste material especial que preparamos para você e confira!

Arroz com pequi

O pequi é um dos temperos especiais muito presentes na região, composta pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Outras especiarias que se destacam nessa culinária são o gengibre, o açafrão e a fruta silvestre jurubeba.

O pequi é um fruto do cerrado que aparece em muitas das comidas locais, não só no arroz. Nesse prato, é possível encontrá-lo como fruto inteiro ou na forma de polpa. Sobre o consumo, fica aqui uma dica: se a ideia for consumi-lo do primeiro modo, é importante não tentar morder o fruto, já que o caroço pode machucar.

De maneira geral, a comida é feita a partir do cozimento da fruta e do acréscimo de arroz e algumas especiarias, como pimenta e cheiro-verde. O pequi é um dos elementos da cultura local que confirmam a forte presença da tradição indígena na culinária Centro-Oeste. Seu nome, em tupi, significa “pele espinhenta”, e ele também pode ser conhecido como amêndoa-de-espinho, pequerim, grão-de-cavalo e suari.

O fruto tem coloração amarelada e gosto bem expressivo, é rico em vitaminas A, C e E e tem características antioxidantes e anti-inflamatórias.

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Pacu assado recheado

Alguns estados da região, como o Mato Grosso do Sul, têm uma quantidade significativa de rios, e, por isso, os peixes são parte importante da culinária. O pacu é uma espécie muito popular e costuma ser servido com farofa. Outra especialidade é recheá-lo com farinha de mandioca, azeitonas, cebolas e ovos cozidos.

Depois, o peixe é assado e decorado com folhas de alface e tomate. Quem vai ao estado não pode perder a chance de provar a iguaria. Em Bonito, importante cidade da região com ampla tradição no turismo ecológico, há opções de restaurantes populares e sofisticados nos quais se pode comer esse tipo de prato.

Caribéu pantaneiro

Representante da vida do campo e das fazendas, esse é mais um prato típico da região pantaneira. Consiste em carne seca dessalgada refogada e acrescida de mandioca, pimenta bode, coentro, salsinha e cebolinha. Tudo isso é coberto com água e cozido em mais uma receita deliciosa que é a cara da região.

Segundo a tradição, esse prato tem origem indígena e portuguesa e é ainda importante e presente na culinária dos terena, tribo indígena do Mato Grosso do Sul. A receita fica ainda melhor se feita no fogão a lenha. Em algumas versões, acrescenta-se urucum em pó, palavra que significa ” vermelho” em tupi e se refere a uma planta muito presente na região amazônica.

Mojica de pintado

As bases do prato são a mandioca e o peixe pintado. Cortados em cubos e junto a outros ingredientes, eles são cozidos e servidos com muito capricho na região. Outra versão de comida baseada nesse peixe é o ensopado com banana-da-terra, fruta comum na culinária.

É tradicionalmente servido com arroz e pode ser também associado a ventrechas (costelas passadas na farinha de trigo com fubá e fritas) de pacu, outro prato local. Uma curiosidade sobre o pintado é que ele é considerado um dos maiores peixes do Brasil.

Caldo de piranha

Sabia que as temidas piranhas dão um belo caldo? Se bem-feita, a comida tem um gosto muito agradável. Essa é uma iguaria típica da região do Pantanal, e há quem diga que esse é um peixe afrodisíaco. Na feitura, as espinhas são retiradas e são acrescentados tomate, salsinha, alho, coentro, pimenta e outros temperos.

Normalmente, o caldo é bebido em cumbucas ou xícaras, e a pimenta utilizada é a pimenta bode, que tem um nível de ardência mediano. É possível engrossar o caldo com farinha de trigo e servi-lo como entrada, acompanhado de torradas, antes de algum churrasco ou peixada.

Galinhada com pequi

Ótimo representante da região, especialmente de Mato Grosso, esse prato leva arroz, pequi, tomate, galinha, cebola e temperos. Primeiro, frita-se e refoga-se o frango picado; depois, acrescentam-se arroz e água para o cozimento. Para completar, é só inserir os outros ingredientes. A mistura deve ser servida molhadinha.

Sobre a origem, esse prato tem influência portuguesa, já que a carne de frango e o arroz foram duas das grandes contribuições dos colonizadores para a culinária local. Nesse sentido, vale lembrar que a galinha chegou ao Brasil por meio dos portugueses na época em que chegaram às terras tupiniquins.

Hoje, está presente no costume gastronômico de todas as regiões do país e é um dos nossos maiores produtos de exportação. Ainda que haja várias versões do prato, vale a pena conhecer a do Centro-Oeste, centrada no pequi e cheia de sabores.

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Como vimos, a culinária do Centro-Oeste oferece muitos pratos saborosos e interessantes ao turista que quer desbravar um pouco dessa gastronomia. Ter a consciência da importância da comida na cultura de uma região, além de permitir a realização de uma viagem mais gostosa, ajuda a expandir nossa percepção sobre a diversidade do Brasil e, assim, propicia experiências mais completas de turismo.

Gostou de conhecer um pouco mais a respeito desses importantes pratos locais? Então aproveite a oportunidade e veja em que lugares você pode comer na sua próxima ida a Bonito. Boa leitura e uma ótima viagem ao universo gastronômico da região Centro-Oeste!